Era uma
vez, num Brasil não tão distante, a tribo de índios Sateré-Mawé, uma população
que ainda existe no estado do Amazonas e tem crescido com o passar dos anos.
Nesse local, vivia um apaixonado casal que se sentia incompleto pela ausência
de um filho.
Eles
decidiram, então, fazer um pedido para o deus Tupã, uma das grandes divindades,
o deus do trovão. A solicitação da gravidez foi atendida e, meses depois, a
índia deu à luz um menino. O pequeno garoto cresceu e começou a desbravar, por
conta, os arredores da mata em que vivia.
Apaixonado
por frutas, ele saía pela floresta para colher e poder trazer de volta para a
tribo o maior número de alimentos que conseguia. Até por conta disso, era
considerado símbolo de orgulho.
A fama
do indiozinho chegou aos ouvidos de Jurupari, uma entidade do mal, muitas vezes
trazida como representante dos pesadelos. Esse personagem, capaz de se
transformar em diversos animais, invejava a habilidade do garoto.
Um dia,
enquanto o menino colhia frutos na floresta, Jurupari se transformou em uma
serpente e o picou. Tupã mandou trovões para alertar os pais do garoto, mas
quando chegaram já era tarde. O índio estava morto.
Diante
de tamanha tristeza, o deus então aconselhou os pais que plantassem os olhos da
criança no chão da tribo. Naquele local plantado, outro tipo de vida brotaria e
outro tipo de energia o menino poderia prover ao seu povo.
Na área
onde foram depositados os olhos, as lágrimas dos pais regaram o broto e, um mês
depois, nascia uma plantinha. Um fruto vermelho que, por dentro, se parecia com
os olhos do menino ao mirar sua tribo. O Guaraná.
